http://rutiglianoroque1.zip.net Na crônica “De Liniers a Che Guevara”: vê-se a influência de Liniers nos jovens argentinos, e no Che. Essas biografias para os jovens, na construção da sua própria história e do perfil de cidadania. Isso no contexto escolar. Agora comparado ao Brasil, na crônica : "O Que (a)prende Liberta?", onde há influência de Tirandentes, aqui. A Crônica "André Higino" aborda a história regional, prevista na Lei de Diretrizes e Base do Ensino, curricular. O polêmico "José Bonifácio" e a paradisíaca "Paranapuã". Essas crônicas são: aventuras poéticas na mata e contraditório cosmopolita, regional, nacional, sul-americano e universal, na transcendência do cotidiano, para conclusão isenta, na vivência autoral, na segurança de referências, na história comparada, nos fatos e opiniões, no concreto e no abstrato, na vida subsidiadora e resultante: em harmonia.
Capítulo I: Latinidade Indígeno Biográfica:
.Texto 01: "A Praia de Paranapuã"; (Paranapuã: - 1991- )
.Texto 02: "O que (a)prende liberta?"; (Tiradentes -1792)
.Texto 03: "De Liniers a Che Guevara"; (Liniers: - 1806 - )
(Che: década de - 1950 - )
.Texto 04: "José Bonifácio de Andrada e Silva"; (José Bonifácio: 1763 -1838)
.Texto 05: "André Higino"; (André Higino: 1584 - )
Para ler o capítulo I: "Latinidade Indígeno Biográfica" de "As Crônicas do Contradito" é só descer o mouse.
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Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h57
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Texto (1) "A Praia de Paranapuã".
As Crônicas do Contradito. 1
Autor: Ricardo Rutigliano Roque.
Texto 1.
A PRAIA DE PARANAPUÃ (1)
- Chefe, pode deixar que eu seguro o toldo pela ferragem!
Ele flambou quando a lona do toldo estufou com a força do vento. Os seus pés subiram na altura dos joelhos do seu interlocutor: mas não soltou!
Quando chegaram foi perguntado ao chefe escoteiro, qual a disposição das barracas, a serem armadas. Era sábado de manhã. A praia é a Praia de Paranapuã ou Praia das Vacas, como é mais conhecida. O vento formou um rodamoinho. O Morro do Xixová que a emoldura, com sua forma de ferradura, potencializou esse efeito. Foi irresistível aos objetos soltos e as ferragens com cordas e estacas, enfiadas na areia fofa. O local fica do outro lado da Baia de São Vicente, aos pés do Parque Estadual do Xixová, uma reserva de Mata Atlântica.
Foram pro canto da praia, onde tinha um telheiro. Passaram de acampados a acantonados: nome dado ao acampar com cobertura, mas sem paredes e sem barraca. Já era sábado à tarde. Ali passariam a noite.
A praia é convidativa. Nela há uma franja da mata ciliar. A extensão seca das suas areias é ali mantida pela mata ciliar, apesar do vento. Mas, a mata mesmo sai: ultrapassa aquele limite que impõe as areias, expandindo-se como floresta secundária de mata atlântica. Porém, um pouco de areia também sai, com a ajuda do vento. Presumidamente pouca: não chega a formar dunas.
Era cercada por um alambrado e tinha uma casa da zeladoria, na entrada. Tal aparato proibia a entrada de estranhos. Administrada pela Capitania dos Portos e só desfrutável, na época, com prévia autorização. Estava sendo esperado um capitão de fragata, que previamente agendou o uso do telheiro, mas, lá não estava presente.
(continua)
rrr
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Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h52
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A Praia de Paranapuã. (1')
(continuação) 2
Na cota zero da floresta, havia uma escola estadual. Era semi-interna, mas, só pra jovens em situação de risco. Eles eram trazidos e levados na recém iniciada e na finda luz do dia, num ônibus. Ficava num prédio que se assemelhava a um sombreiro mexicano. Os jovens seriam beneficiários de uma verdadeira terapia coadjuvante, se mantido o ambiente paradisíaco. Mas, essa construção estadual, quebrava em parte a necessária harmonia entre os dois biomas, o marinho e o terrestre, se mantida iluminada à noite. O alambrado federal fazia o mesmo, dia e noite. A soma dos artifícios, afugentava e barrava a passagem dos animais silvestres.
O chefe foi à praia na manhã de domingo. Recolheu as ferragens retorcidas e as lonas molhadas daquele acampamento, pra ele desastroso. Como penitência e com pesar, dobrou tudo sozinho.
Os escoteiros entraram na mata com prazer diante da sombra oferecida, mas, com cuidado, frente ao calor do meio-dia. O calor faz a cobra sair da sua toca. Talvez por isso haja silêncio na mata ao meio-dia: camuflam-se os outros animais. Seria só ouvir a natureza, mas humildemente ouviam o experiente soldado Albertino, do Corpo de Bombeiros: sensibilizando-se em sobrevivência na selva. Ele era de uma guarnição da Praia do Gonzaguinha, que se avista sem binóculos. Era uma autêntica lanterna dos afogados, guarnecendo uma praia sem ondas, mas, cheia de correntezas. Lá não havia muita prevenção para os que nos quiosques se alimentavam, se alcoolizavam e nas suas águas desapareciam. (2)
Embarcado o material de acampamento, terminou a atividade na praia. Portanto, as patrulhas escoteiras formaram em ferradura, pra arriarem a bandeira, presa a um bambu. O bambu solitário tinha sido ali recolocado: enfincado nas areias mais úmidas e, por isso, resistentes ao vento.
Era domingo à tarde. Despontou o ônibus do outro lado da praia, na rua que serpenteia a localidade, em pequena velocidade. Só que não parou. O chefe saiu de calças curtas, nos dois sentidos, o literal e o figurado. De apito na boca soprando-o tal e qual um guarda de trânsito, com a atenção conquistada com os que estavam as suas costas, mas sem nenhuma autoridade com quem perseguia, naquela corrida desenfreada. Mais um desastre: pensou ele! Estavam especialistas na cidadania, mas, primitivos na intempérie do tempo e amadores naquele trabalho. (continua)
(2) SANTOS, Diário Oficial; "Praia Segura é encerrada com queda de 30% nas ocorrências.", p. 4; Santos; 15/03/2002.
rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h49
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A Praia de Paranapuã (1'') 3
(continuação)
Pra transportar o material de volta, o chefe já havia pedido ao telefone, domingo de manhã, a antecipação da vinda do caminhão. Pra comunicar-se foi a um pequeno estabelecimento comercial. Ficava no caminho, que se debruça sobre as pedras do costão rochoso. Seria assim o fim do Acam-junho, que atrasadamente aconteceu em julho daquele ano.
A soma da topografia com a consistência do terreno resultou num drama, pra ele. Contado vinte passos da maré do dia, pra evitar uma maré enchente, chegava-se ao areião. Lá foi onde fincaram as estacas. Algo parecido também aconteceu na Praia do Gonzaga, em outra baia, a Baia de Santos. Numa quermesse, o telão colocado lá, se despregou com a força do vento. Mesmo estando numa areia endurecida. Tinha sido dia de jogo da seleção brasileira de futebol. Era um sábado do ano de 1991.
Pra transportar os escoteiros, naquele caminho encontrara aquele desenfreado ônibus. Ele acabara de deixar os meninos, em situação de riscos outros, na escola do estado. Esse encontro aconteceu na volta da ligação telefônica. Perguntou ao motorista, qual a sua rotina, que soube coincidir com a sua volta. Seria o seu retorno cheio de meninos de dez e meio a 14 anos, no ônibus vazio. Mas, sob a direção daquele motorista, haveria de continuar e assim ir embora.
Voltaram a pé até alcançar uma passagem, que liga o continente sul-americano a Ilha de São Vicente. Ali o chefe se sentiu no acampamento: na cabeceira da centenária Ponte Pênsil. Explico: ficou sabendo que após feita a encomenda da ponte, mas, antes da sua chegada e da sua colocação onde está até hoje, um dos seus projetistas suicidou-se! Refez os cálculos e pensou ter errado nas medidas.
O vento pra ele também havia passado das medidas, nos seus cálculos, porém, foi uma aventura com segurança. Para os escoteiros foi o melhor acampamento havido, até então! Como tem sido também pra Ponte Pênsil: de aço e vencendo desafios; mesmo depois da construção de uma nova ponte. Já estava pra anoitecer.
(continua) rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h46
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A Praia de Paranapuã (1"') 4
(final).
A auto-imagem do jovem escoteiro, heróica ao segurar as ferragens do toldo do acampamento, em meio à tempestade, é significativa. A sua força em querer, com a sua nova vontade e a de uma geração inteira, vencer os desafios e mudar o mundo, estará bem forjada.
O contexto pede mudança, como vimos. Hoje aquela escola está fechada. O seu prédio estava correndo o risco de cair e foi interditado. Poderia se construir outro edifício pra ser um posto avançado de pesquisas marinhas. Foi pleiteado anteriormente pra isso, pelo Professor Gusmão do C.E.P.E.U., segundo o indigenista Sr. Antonio Pinho.
A área está sub-judice, com dois seguranças barrando o caminho de estranhos. Há a presença de índigenas de aldeias diferentes, ocupando-a. Na doença recorrem ao pajé da aldeia Guarani de Itaóca, em Mongaguá. Expostos à essa não presença, estarão desestruturados. Poderão eles na praia permanecer, com o extrativismo do palmito, se ali houver, e a pesca do peixe, sustentar a sobrevivência de uma aldeia? O contexto de praia, não é propício pra uma aldeia, segundo o mesmo indigenista. Poderia ser apenas uma morada provisória pra estudantes indígenas. Respeitando-se às suas vocações, já transparentes em seus nomes nativos.
Exemplarmente há um programa do MEC, Ministério da Educação, citado pelo o P.N.U.D., Programa as Nações Unidas de Desenvolvimento, para "professores indígenas licenciados para dar aulas a estudantes de aldeias brasileiras" (3). Aprendendo a lingua dos brancos continuariam a se defender e manteriam o contato com a sua cultura, todavia.
Mas, o que é ensinado aos indígenas e aos jovens em geral , no Brasil? Quer ver o conteúdo da história brasileira, numa pequena, mas, importante amostra? Ele é decorrente da colonização europeia aqui acontecida, porém, lá planejada. Citarei uma parte que foi imposta, verdadeiramente, pelos colonizadores ...
(fim)
rrr
Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h45
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Autor: Ricardo Rutigliano Roque
Texto 2:
O QUE (A)PRENDE LIBERTA?
"Um alferes e dentista mineiro condenado e executado pela Coroa portuguesa em 1792 por lesa-majestade. Seu crime: liderar um movimento pela Independência do Brasil. Sua punição: enforcamento, esquartejamento e exposição pública das partes de seu corpo". (1) O reviver do esquartejar do corpo do alferes Joaquim José da Silva Xavier, é uma violência.
O jovem descendente dessa época e nação ficará com a pedagogia do esquartejamento do Tiradentes. É a paga da cidadania... o que torna muito doloroso o seu exercício. Admiro que essa história, seja contada pra criança, mas é a realidade.
O jovem conseguirá fazer o outro sentir, mas, só o seu próprio sentimento. Terá que se transformar em ator profissional, pra dissimular o seu medo, ou em verdadeiro ator social pra mudar esse modelo. A história escolar parece que é matar, morrer ou assistir ao estrangeiro fazendo-a, e o habitante local escrevendo-a, com submissão. Ela lhe foi ensinada, quando criança, com a marca do medo. Talvez tenha faltado bom humor, à história. O estudante deve provavelmente estar chato, agora, por que assim fica: imobilizado pelo medo.
O aluno colonizado o será, enquanto estiver fragilizando-se assim. Terão sido conquistados apenas os olhos arregalados, da mente submissa. É o resultado desse modelo de heroísmo, com vida curta. No longo prazo da história, o conquistador dessa atenção, será considerado abominável. Compreendendo-se, mas pouco se mudando isso, apenas quem relevar perdoará. O ensino histórico, todavia, terá que ser ensinado com essa adrenalina. Porém, sob pena dessa adrenalina ficar como determinismo biológico, e ruim.
A justa endorfina de cidadão reconhecido, deverá ser acrescentada à essa química, que já corre no sangue dele. Reescrevendo a história, se emancipando através da cidadania mobilizadora. Explico: a endorfina é uma química do próprio organismo, liberada quando há elogio ou a certeza de ter feito algo, à contento. Irá, assim, transformar-se em habilidoso artesão e fazer sempre melhor. Depois como autêntico professor de cidadania, irá contá-la, com orgulho. Isso posto, deve-se retomar o seu debate. Vai começar? Quem sabe comparando a sua história com a de outra nação, vizinha...
(1) OLIVEIRA, A.; “Imagem de mártir, perfil de herói”, UOL, Ed.nº. 39 -
janeiro de 2007.
Nota de edição: A referência nº (1): esse "trabalho recebeu o prêmio de melhor tese em história de 2006, concedido pela Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.” Acesse e veja a transcrição da tese de: OLIVEIRA, A.; “Imagem de mártir, perfil de herói”, no UOL, em sua edição.nº. 39, de janeiro de 2007.
rrr
Categoria: Avaliação
Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h43
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Título: As Crônicas do Contradito. 6
Ricardo Rutigliano Roque.
Texto 3: DE LINIERS A CHE GUEVARA.
A vida colonialista tem a sua derrota, quando da recém formada Argentina, na história do seu combate, aos invasores ingleses. Foi até chegar à vitória dos locais em 1806, no período do "Cabildo del 14 de agosto - La Segunda Invasión". Ao lado dos "Patrícios: criollos nascidos en la ciudad, blancos, sin distinciones por motivos de situación econômica o posicion social; Arribeños: blancos nascidos en otras províncias, las de 'arriba'; Pardos y Morenos... índios de la ciudad... esclavos... los españoles europeos... gallegos, andaluces, miñones (o catalanes), viacainos, montañeses (o cantabres)...” (1).
Liniers foi aquele que os comandou, com “... obstáculos al avance de los invasores; la artilleria... estrategicamente..., barreria... a las tropas atacantes;... la caballeria criolla no daria respiro..., los Patrícios aguardaban a pie firme; y ..." (veja a participação dos habitantes locais, na defesa do seu chão) "e... nas casas do trajeto a quem deviam recorrer os inimigos, água fervendo, brasas... nas casas que converteram num inferno o caminho dos agressores... tiveram que render-se depois de verem-se dizimados” (2). Foi uma reação dos habitantes em sua própria defesa.
Antes dessa vitória "Don Santiago de Liniers, capitán del Puerto de Buenos Aires, habiase trasladado a la banda oriental para preparar alli algunas tropas..." (3): que estrategicamente mudava de margem do Rio da Prata, e retornava mais combativo. Foi estudar a situação, tornando-se forte. Mas, por conjunção de coroas na Europa, quando a espanhola submeteu-se à francesa, Bonaparte passou a mandar. Liniers foi considerado suspeito, pelos seus comandados, por sua origem francesa. Cidadão cosmopolita e francês também morreu sim, no ostracismo pessoal, mas, com longevidade e vitorioso nos seus objetivos, o que virou histórico. Os contextos mudam e vê-se a necessidade de revisar o heroísmo.
O herói vitorioso está na história argentina. Ela é contada aos jovens de lá, na sua mais tenra idade, para tal. Esse jovem adquire coragem, o que o projeta para o contemporâneo. Isso também deveria ocorrer, na história comparada, com o jovem brasileiro. Resultaria em ganho na nossa evolução cidadã, ao invés da luta de dominadores e submissos: que não ocorre.
Os adolescentes lembram mais de “Che Guevara”, da história contemporânea latino-americana. Era o médico, o Dr. Guevara. Havia estudado medicina no coração geográfico da Argentina. Formou-se em tempo recorde, num sistema de créditos, na Universidade Nacional de Córdoba. Ele asmático, portanto, com sua noção de tempo alterada, o que dói. Houve outro colega dele, que também lá estudou, mas só contentava-se com a nota dez. Senão, voltava a prestar o exame, matéria por matéria. Será que esse só visava à cura? Mas a primeira matéria no currículo é a Medicina Preventiva, junto com a Anatomia e Histologia. Deduz-se ser matéria diferencial. Simboliza a passagem de uma margem à outra do rio que separará a doença da saúde. Todavia, é o cuidar da pessoa no seu conjunto, abrangentemente. Um modelo com resultados intermediários seria bom? O medo e a precaução gera um ou outro modelo. Também se deve diagnosticar os males do corpo e de alma da pessoa. São os males que o acomete. São os diagnósticos que o ofício médico dita, como tendo que ser feito. Mas, é melhor manter o benefício da saúde antes de chegar a doença, com prevenção.
A área de humanas dá a ferramenta aqui utilizada: a escrita. Ela pressupõe a pessoa sã, faz o contraditório das posturas, e a aproxima para o debate, sem estigmatizar o convívio. Essa abordagem, é apenas uma revisita da outra margem. Com a nova força adquirida e com coragem, se lutará no diagnóstico e tratamento. Porém, levando no peito o ideal da prevenção, algum benefício isso haverá que gerar. Vamos ver um personagem da história brasileira que conseguiu seus objetivos, não se privou do convívio e foi longevo?
(1) LERÚ, Resumenes - História Argentina de 3er. año - 1ª parte (1516 a 1813), “Cabildo del 14 de agosto – La Segunda Invasión” (1806); pág. 65, 18ª edicion; Buenos Aires, 1982;
(2) Idem - La Defensa, pág. 68;
(3) Idem - Primera invasión inglesa - La Reconquista, pág. 63.rrr
Categoria: Evento
Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h39
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As Crônicas do Contradito. 7
Autor: Ricardo Rutigliano Roque.
Texto 4:
JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA.
Ele é o Patriarca da Independência do Brasil: o José Bonifácio de Andrada e Silva: “José Bonifácio de Andrada e Silva moldou as instituições de uma nação chamada Brasil. O 7 de setembro de 1822 foi possível porque estava em vigor um acordo político, costurado por ele... Os republicanos aceitariam uma monarquia comandada pelo herdeiro do trono português, e este, o poder de um parlamento" (1).
"Este contraponto entre fontes de poder tornou-se uma constante na vida brasileira... nascido em Santos no dias 13 de junho de 1763,...1833 – José Bonifácio é destituído do cargo de tutor. Retira-se para a Ilha de Paquetá, RJ; 1838 – morre, aos 74 anos..., Niterói..” (1). Mineralogista, descobridor de novos minerais, à época (2). Ecologista, foi o primeiro a defender as nossas matas(2). Militar, defendeu o império português contra a invasão dos franceses(1). Tutor de D.Pedro II, defendeu essa terra aqui, que era de posse monarquista.
"Patriarca da Independência": depois de instalada a independência, dela foi à democracia advinda: na natural participação da maioria, pela proximidade do centro de poder, mantido e com isso aumentado, aqui. Sua figura até hoje é respeitada. É o princípio da democracia: o do respeito às minorias. A dele por ter sido um colonialista e monarquista. Sistemas esses que defendeu até pegando em armas. “Participa da resistência portuguesa contra os franceses” (1). Defendeu a posse do Brasil pelo império português, quando “nomeado ministro do Reino e Negócios Estrangeiros do Império do Brasil” (1). Porém, foi pró-independência do Brasil. Contudo, foi um monarquista, sistema aqui mantido sob a sua tutela: e era um "monarquista que não saboreava bem a política de outra forma" (2).
(continua)
rrr
Categoria: Objeto de Desejo
Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h37
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José Bonifácio de Andrada e Silva. 8
(continuação)
Líder: apesar de não saborear a república, fomentou-a com a maior participação política, advinda da independência. “José Bonifácio é eleito deputado” (1).
Predominar sobre o "id", assim chamado o impulso selvagem da psique humana; com o "superego", o crítico da psique; trazendo o "ego", para um equilibrado "eu" resultante: é de uma vitória pessoal impressionante. É admirável que tenha iluminado a transição política do país de monarquia para república. Morreu aos setenta e quatro anos de idade, na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro.
Porém, será que esse exemplo desconexo: entre a postura inicial díspare com o discurso final, sucumbirá à sua própria aparente incoerência? É complexo o seu entendimento para um aluno iniciante. O fazer pensar nisso já será uma contribuição, pois o maniqueísmo estará com os dias contados.
Estimulando-se o conhecimento desse personagem, haverá o enriquecimento histórico. Ele passou uma mensagem de entendimento complexo, mas, de abrangência universal, nos seus bons resultados. O seu currículo demonstra a dimensão da sua alma: aberta. Nascido numa Santos provinciana, foi um cosmopolita na sua visão de futuro. O seu perfil na pesquisa, mostra-se em essência colonialista e monarquista, mas, não ungido à posição maior de rei, sensível ao querer da maioria. Acatou o pensamento majoritário e viabilizou a independência do país, para os seus concidadãos brasileiros. Uma geração após a outra, depois da sua, se beneficiou dessa visão. Obteve-se assim um bom resultado de curto-médio e longo prazos. O fruto é a nossa postura negociadora.
. (1) SILVA, J.B.A. - Programa de Memória de José Bonifácio de
Andrada e Silva, folder; Comissão Organizadora:
UniSantos (cicerone) e Colaboradores;
Santos, S.P., Brasil; 2.006
. (2) UniSantos, Painel “José Bonifácio – Pensador e Reformista”;
12/06/2006. rrr
Categoria: Objeto de Desejo
Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h36
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As Crônicas do Contradito. 9
Autor: Ricardo Rutigliano Roque. Texto 5: ANDRÉ HIGINO.
"Na manhã de 16 de dezembro de 1583, surgiu na barra de Santos o pirata inglês Edward Fenton. Trazia uma nau e dois galeões armados, transportando talvez duzentos homens de combate" (1). "Senhor das informações sobre os corsários, encaminhou-se André Higino... para o porto de Santos, na esperança de encontrá-los... Não escapou ao povo a presença da esquadra amiga, pelo observatório do Morro do Vigia (Monte Serrate, antigo São Jerônimo) e foi enviado um emissário ao encontro dos navios castelhanos, com a notícia de que os navios ingleses se achavam dentro do porto" (1). Por conjunção de coroas na Europa, as terras brasileiras estavam sob o domínio espanhol. A esquadra espanhola defendia o litoral brasileiro, de ataques corsários e piratas. André Higino era vice-almirante de tal esquadra, comandado pelo almirante Dom Diogo Flores Valdez. Ambos haviam encontrado as naus derrotadas, na recém acontecida escaramuça com Edward Fenton: estavam à deriva na altura de São Vicente. Souberam "...que os ingleses queriam estabelecer-se e fortificar-se naquela costa; que Withall para isso os chamara; que andavam propalando que D. Felipe estava morto e que Don Antonio estava de posse de Portugal; e mais, que em nome da sua rainha faziam promessas aos portugueses, com o fim de induzir o povo a acolhê-los... Mostravam aos habitantes um futuro risonho sob o protetorado da Inglaterra, fantasias que todos repeliam, pela fé nos destinos de Portugal e na próxima restauração do seu domínio recém-perdido, e por isso abstiveram-se, todos, de estabelecer relações com a gente de Fenton" (1). Nota-se que o discurso é de um corsário, com licença da coroa da sua terra natal, para saquear lugares e naus de outras bandeiras. O corsário inglês Edward Fenton aqui havia aportado, após aquela batalha. Vieram para fazer à forja e carpintear as naus da sua esquadra. Eram as cicatrizes navais, prova da citada luta. "John Withall - hábil mecânico e ferreiro... genro de José Adorno, o homem mais abastado do lugar, senhor do antigo Engenho "São João”... "(1). Vieram a ele procurar. Mas, em “... 24 de janeiro de 1584 surgem no porto santista as naves de guerra de André Higino” (1).
E... André Higino afundou o último galeão inglês, ao persegui-lo na fuga de Santos. Com os canhões conquistados, fez e guarneceu a Fortaleza da Barra Grande. Era o governador e o Capitão-mor o Sr. Jerônimo Leitão. O governo local era mantido nas mãos dos portugueses. Porque os espanhóis se preocupavam, principalmente, com as naus vindas carregadas do Rio da Prata, com metais preciosos. Elas costeavam o Brasil até Natal: de lá atravessavam o Atlântico.
(continua)
rrr
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Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h34
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"André Higino" (continuação) 10
Os corsários ingleses precisavam de reparos nas suas naus, antes de tentar saquear o local. Como contar com o governo, para mediar à questão? O governador daqui era de origem portuguesa. A armada que nos protegia era espanhola. Os corsários eram ingleses. Quando eles aqui aportaram, encontraram os habitantes locais. Haviam alguns degredados, criminosos na condição de recém expulsos de Portugal? Em parte essa era a origem dos habitantes locais? Por isso que não se defenderam efetivamente dos corsários? O extrativismo era o suficiente até então, pra os manter vivos, mesmo sem ofícios? Está previsto o ensino da história local, na Lei de Diretrizes e Bases do Ensino. Isso gerará o necessário debate democrático, regional. Quando comparado o currículo de um jovem com o de outro jovem, de outra escola e região, tal análise se ampliará e aprofundará. Portanto, temos que alguém com destreza no seu trabalho, se tornava importante. A ponto de se casar com a filha do mais velho senhor de engenho: "80 anos"(1). Independente, todavia, do habilidoso ser inglês e, portanto, competidor com os portugueses pela posse das mercadorias, do novo mundo. Será também com os canhões do inimigo contemporâneo, que se farão as melhores trincheiras? Igual a Fortaleza da Barra Grande de Santos, uma trincheira coletiva? Adquirindo uma habilidade de mecânico ou ferreiro, uma trincheira individual? Obviamente, não basta querer trabalhar. Tem que ter uma pragmática destreza. Há que possuir uma filosofia, senão como haverão de distinguir o inimigo? O ócio num clima tórrido, com tanto pra se fazer, é um inimigo? Saboreada essa história, ela deverá constituir parte do currículo escolar regional. Os habitantes locais já haviam tentado sobreviver na Europa, incidindo em crime? Pra cá alguns foram mandados na condição de degredados. Hoje, o extrativismo tendo exaurido a terra, após 500 anos de exploração desordenada, alguns estão jogados de volta ao crime para sobreviver? A história é cíclica e se repete? A busca ativa empreendida por André Higino, de um posto avançado: sua nave. A atitude passiva do vigia do Monte Serrate, da sua trincheira, ambas se contrapõem ou se complementam?
Há semelhança nessas posturas com as encontradas na luta contra as doenças? Vejamos. Esperar passivamente que elas surjam no horizonte dos consultórios, trincheira do médico: tal fez o vigia. Ali fazer a prevenção, individualmente: buscando a autodeterminação de cada paciente. Porém, ativamente sair para executar em campo uma estratégia sanitária: qual fez o André Higino. Também ali pra prevenção: mas, buscando a autodeterminação dos coletivos. Colhidos os dados nos nossos consultórios (2), onde construir essa estratégia ? Como fazer isso, quando as causas são multifatoriais?
Onde compartilhar desse saber num espaço comum: na associação profissional liberal? Como aglutinar outros segmentos, para preencher todas as casamatas? O sanitarismo não é considerado especialidade médica, por aglutinar profissionais não médicos. Como liberais houve a saída do Conselho Municipal de Meio Ambiente, onde se convivia com o engenheiro. Agora, vamos convidá-lo para o Conselho Municipal de Saúde? Conviverão apenas em clube de servir, apesar de ser pouco hermético? Sendo esse aglutinar, um pré-requisito de uma boa política de saúde, pública, pergunto: onde envolver o maior número de segmentos da área comprometida? Onde as casamatas poderão se alinhar com a dos outros combatentes? Apenas sob o jugo de um tutor, nos empregos? Por exemplo: indo sentar-se no banco da universidade, pra fazer uma monografia em Saúde Pública, dentro da sua área de saber. E depois de aplica-la? Escrever sobre isso, como estímulo humano à se fazer o mesmo: dar o seu testemunho. (1) SANTOS, F.M. - História de Santos; 1º volume, pág. 137, 2ª ed.1986; Ed. Caudex São Vicente - S.P.
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Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h32
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. Texto 06: "A Volta na Ilha de São Vicente";
. Texto 07: "Bogotá";
. Texto 08: "A (Des)Aventura Urbana e Itatinga";
. Texto 09: "À Transversalidade e ao Estadismo";
. Texto 10: "Ruído do Frei Crisântemo: o Paradigma a ser Quebrado ";
. Texto 11: "A Existência da Visão e a Inexistência da Abstração."
. Texto 12: "A Busca de Identidade";
Capítulo II: "Brasilidade Contextual".
As crônicas transparecem o conteúdo: poético, ecológico e vivencial; biográfico, contextual, histórico comparativo e pragmático utilitarista em saúde, referenciados; autoral e propositivo. Abordam a questão vivencial no contexto de cidadania, nos sete textos desse segundo capítulo, que estarão sendo publicados à partir de 24 de fevereiro de 2.007. São as citadas crônicas, acima. Como parte da obra: "As Crônicas do Contradito", de minha autoria, que estará aqui publicada, sendo um texto a cada sábado.
Para ler o Capítulo I: "Latinidade Indígeno Biográfica", é só descer o mouse.
Para ler o Capítulo II: "Brasilidade Contextual", clicar aqui: http://rutiglianoroque.zip.net
Para ler o Capítulo III: "Exercício Autoral" , clicar aqui: http://rutiglianoroque3.zip.net
Nota:
Há a segurança de aventuras poéticas, referenciadas no contexto histórico.Tenta-se aqui dar equilíbrio aos textos, intercalando fatos e opiniões, entremeando o concreto com o abstrato, correspondente.
Existem aventuras no nosso habitat natural, a mata. Contém contraditórios cosmopolitas contemporâneos. Tem histórias pessoais entremeadas, mas não confessionais na forma.
O âmbito é regional, nacional e sul-americano, mas, é ambicionado chegar-se ao universal. Será pra transcender o cotidiano e obter-se a isenção nas conclusões.
É a vida com segurança e afeto, em harmonia. Ela haverá de ser a subsidiadora e a resultante perfeita, aqui estimulada.
Ricardo Rutigliano Roque rrr
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Escrito por ricardorutiglianoroque1 às 14h23
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